Alterações severas de humor, euforia, depressão, agressividade, desconfiança… Esses são os principais sintomas do transtorno bipolar, uma doença séria que deve ser tratada com acompanhamento psicológico.
Veja dicas da psicóloga clínica e professora do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras de Jundiaí Ana Sayuri R. Waricoda e saiba qual é o tratamento adequado para quem sofre com o transtorno.
Foto: Thinkstock/Getty Images
Sintomas do transtorno bipolar
A especialista afirma que o transtorno bipolar se caracteriza por alterações de humor, com recorrência de episódios depressivos e maníacos, ou seja, hiperexcitabilidade. São vários os sintomas que indicam a existência do problema: “Podemos citar humor expansivo, euforia, depressão piorando ao entardecer e à noite. Há sentimentos de grandiosidade, otimismo exagerado, destemor, autoestima aumentada, impaciência, domínio, paixão, riqueza, desconfiança, erotismo, entre outros”, afirma Ana Sayuri.
Ela ainda aponta que por se tratar de um tipo de psicose, também ocorrem delírios e alucinações com frequência, como ser injustiçado, perseguido e agredido. Porém, é importante ressaltar que o transtorno se manifesta de um jeito diferente em cada indivíduo, sendo estritamente necessário a ajuda de um profissional qualificado.
Como identificar uma pessoa bipolar
É normal confundir o transtorno bipolar com as irritações comuns do dia a dia. Pequenos problemas corriqueiros como falta de sono, cansaço e dores em geral podem ser explicados. No caso do transtorno bipolar, a mudança de humor não acontece no mesmo dia, nem em poucos dias.
“A pessoa pode passar meses depressiva, depois meses agitadíssima, variando sempre. Não há ligação com um acontecimento cotidiano. Por exemplo, se não passamos em um concurso é comum ficarmos chateados e tristes. Se estamos com dificuldades financeiras, a preocupação pode nos deixar irritados e nervosos. Já a pessoa com o transtorno se sentirá empolgada mesmo quando o momento não for condizente”, revela a especialista.
A pessoa bipolar pode passar semanas ou meses em estado depressivo, melancólico e depois apresentar-se muito agitada e empolgada em todos os sentidos, inclusive o sexual. “Semanas e meses depois, ela retorna para períodos depressivos e assim sucessivamente. Como existem muitos sintomas, e grande parte das pessoas possui alguns deles, para descobrir se possui diagnóstico de bipolaridade é necessário procurar um profissional de psicologia ou psiquiatria. É de grande importância que o diagnóstico seja bem realizado para que não se corra o risco de passar por um tratamento errado, visto que envolve o uso de medicação”, aconselha Ana.
Tratamento adequado
O tratamento para pessoas bipolares deve ser sempre orientado por um psiquiatra, já que exige o uso de remédios. “Medicamentos mais comuns são conhecidos como estabilizadores de humor, mas somente devem ser utilizados se prescritos pelo psiquiatra. Esse é o profissional que tem conhecimento suficiente para diagnosticar, prescrever e acompanhar um tratamento medicamentoso no caso de transtorno de bipolaridade”, conta a psicóloga.
Contudo, ela também aponta que o tratamento será mais rápido e interessante se for acompanhado por psicoterapia. “Ajudará o paciente a se adaptar e a lidar melhor com seus comportamentos e sentimentos”, revela.
Dificuldades da pessoa bipolar
A bipolaridade pode trazer dificuldades nos relacionamentos amorosos e no trabalho, pois nem sempre as pessoas conseguem lidar com as mudanças de humor sem causa aparente. “No trabalho, a pessoa sente dificuldade ao realizar atividades que exijam concentração e empenho do começo ao fim. Além disso, podem ocorrer também sumiços por falta de ânimo em períodos prolongados”, diz Ana.
Se os sintomas forem agravados, a pessoa pode sofrer com frequentes frustrações e falta de relacionamentos saudáveis. “Para pessoas que utilizam a medicação sem prescrição médica e acompanhamento, podem ser adquiridos efeitos colaterais e chegar ao desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos”, completa a psicóloga.
Ajuda da família
O apoio dos familiares é sempre imprescindível, não importa a situação. A família sempre que possível deverá entender que os meses depressivos, assim como os de hiperagitação não são controlados pelo paciente. Dessa forma, a pessoa não consegue se controlar e precisa de ajuda.
“Apoio e amor sempre são importantes para se entender o que faz o outro sofrer e como colaborar para a diminuição do sofrimento. É muito importante que a família não tente diagnosticar a pessoa como bipolar antes de ter um diagnóstico médico. Muitas vezes, apenas o rótulo de doente ou problemático já é o bastante para que a pessoa sofra, independente das dificuldades. Orientação, paciência e diálogo sempre são bons em qualquer situação”, finaliza a especialista.
Consultoria: Ana Sayuri R. Waricoda, professora do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras de Jundiaí. Psicóloga clínica, especialista pela FGV e mestre em relações amorosas e conjugalidade pela UFES
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